This story [1] was originally published on OpenDemocracy.net/en/. License: Creative Commons 4.0 - Attributions/No Derivities/ international. -------------------------------------------------------------- Nayib Bukele acumula poder em El Salvador By: [] Date: None Bukele, como nenhum outro presidente da região, passará a contar com a grande maioria na Assembleia e poderá tomar unilateralmente decisões que necessitem de consenso entre partidos, como a nomeação do procurador-geral e a renovação de um terço dos juízes do Supremo Tribunal. Bukele esbanjou seu capital político democrático em fevereiro de 2020, quando invadiu a Assembleia Nacional junto com membros do Exército para pressionar os deputados a aprovar um empréstimo para a compra de equipamentos de segurança, em um gesto autocrático claro que foi recebido com espanto pela comunidade internacional. No início da campanha para essas eleições municipais e legislativas, ele também foi acusado de ser o idealizador do ataque contra dois membros da FMLN. Esses antecedentes indicam que Bukele, com suas formas populistas desinibidas, pode elevar essa tendência para uma figura ditatorial, acentuando seu perfil de caudilho salvador do povo salvadorenho, como ele mesmo proclama. Monumento en el Parque Libertad de San Salvador, El Salvador. | Alamy. Parte de sua popularidade foi construída sobre suas habilidades de fazer clientelismo, de comunicação carismática e redução dos índices de violência que herdou de seus predecessores. Agora, Bukele muito provavelmente continuará sua controversa política "mano dura" (punho de ferro) contra as gangues. Em 2020, ele autorizou a polícia a matar membros de facções criminosas em El Salvador e decretou estado de emergência máxima nas prisões após um massacre que durou 72 horas, no qual pelo menos 40 pessoas foram supostamente mortas pelas maras, como são chamadas as facções criminosas de El Salvador, conhecidas por sua extrema violência. Embora as estatísticas mostrem um declínio na violência no país, suas práticas abusivas o colocaram na mira das organizações internacionais de direitos humanos. Outras atitudes do presidente, como os ataques aos meios de comunicação críticos a seu mandato, como o prestigiado meio digital "El Faro", são sintomas preocupantes de deriva autoritária. Agora, o principal receio da oposição é que crie uma Assembleia Constituinte, a fim de ampliar ainda mais o poder de sua presidência. Como a Controladoria de Contas já está em suas mãos, teme-se que a falta de transparência nos gastos públicos se intensifique, a corrupção aumente e que a retração da economia coloque o país em situação crítica (em 2020, o PIB despencou 8,6% e mais de 80 mil empregos foram perdidos). Sua salvação virá dos Estados Unidos, de onde vem a principal fonte de renda de El Salvador: remessas de emigrantes. Com a saída de Trump da Casa Branca, Bukele perdeu seu aliado no país, e a administração Biden já mostrou sinais de desconforto com a maneira como o presidente salvadorenho governa. Existem questões delicadas que podem gerar tensões, principalmente se os pedidos de extradição de membros de facções criminosas forem efetivados, o que poria em risco a pacificação das ruas que Bukele exibe tanto quanto uma conquista pessoal. O presidente salvadorenho não deveria confundir o retumbante apoio popular de seu partido nas urnas com carta-branca para exercer o poder com vocação absolutista. A América Central guarda péssimas lembranças dos autocratas do passado e não quer que surja um novo, mesmo que chegue disfarçado de millennial. [1] Url: https://www.opendemocracy.net/pt/nayib-bukele-acumular-poder-el-salvador/