9 Oxalá a minha [1] cabeça se tornasse em aguas, e os meus olhos n’uma fonte de lagrimas! então choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo.
2 Oxalá tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! então deixaria o meu povo, e me apartaria d’elle, [2] porque todos elles são adulteros, e um bando d’aleivosos.
3 E estendem [3] a sua lingua como o seu arco, para mentira; fortalecem-se na terra, porém não para verdade; porque se avançam de malicia em malicia, [4] e a mim me não conhecem, diz o Senhor.
4 Guardae-vos cada um [5] do seu amigo, e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar, [6] e todo o amigo anda calumniando.
5 E zombará cada um do seu amigo, e não fallam a verdade: ensinam a sua lingua a fallar a mentira, andam-se cançando em obrar perversamente.
6 A tua habitação está no meio do engano: com engano recusam conhecer-me, diz o Senhor.
7 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos: [7] Eis que eu os fundirei e os provarei; porque, como d’outra maneira faria com a filha do meu povo?
8 Uma frecha mortifera [8] é a sua lingua, falla engano: com a sua bocca falla de paz com o seu companheiro, mas no seu interior arma-lhe ciladas.
9 Porventura [9] por estas coisas não os visitaria? diz o Senhor; ou não se vingaria a minha alma de gente tal como esta?
10 Sobre os montes levantarei choro e pranto, [10] e sobre as cabanas do deserto lamentação; porque já estão queimadas, e ninguem ha que passe por ali, nem ouçam berro de gado: [11] já desde as aves dos céus, até ás bestas, andaram vagueando, e fugiram.
11 E farei de Jerusalem [12] montões de pedras, morada de [ZE] dragões, e das cidades de Judah farei uma assolação, de sorte que não haja habitante.
12 Quem é o homem sabio, que entenda isto? e a quem fallou a bocca do Senhor, que o possa annunciar? porque razão pereceu a terra, e se queimou como deserto, sem que ninguem passe por ella.
13 E disse o Senhor: Porquanto deixaram a minha lei, que dei perante a sua face, e não deram ouvidos á minha voz, nem andaram conforme ella,
14 Antes andaram após [13] o proposito do seu coração, e após os baalins, [14] o que lhes ensinaram os seus paes,
15 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus d’Israel: [15] Eis que darei de comer alosna a este povo, e lhe darei a beber agua de fel.
16 E os espalharei [16] entre nações, que não conheceram, nem elles nem seus paes, e mandarei a espada após elles, até que venha a consumil-os.
17 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Considerae, [17] e chamae carpideiras que venham; e enviae por sabias, para que venham.
18 E se apressem, e levantem o seu lamento sobre nós; [18] e desfaçam-se os nossos olhos em lagrimas, e as nossas palpebras se distillem em aguas.
19 Porque uma voz de pranto se ouviu de Sião: Como somos destruidos! estamos mui envergonhados, porque deixámos a terra, [19] porquanto transtornaram as nossas moradas.
20 Ouvi pois, vós, mulheres, a palavra do Senhor, e os vossos ouvidos recebam a palavra da sua bocca: e ensinae o pranto a vossas filhas, e cada uma á sua companheira a lamentação.
21 Porque já a morte subiu pelas nossas janellas, e entrou em nossos palacios, [20] para exterminar os meninos das ruas e os mancebos das praças.
22 Falla: [21] Assim diz o Senhor: Até os cadaveres dos homens jazerão como esterco sobre a face do campo, e como gavela detraz do segador, e não ha quem a recolha.
23 Assim diz o Senhor: [22] Não se glorie o sabio na sua sabedoria, nem se glorie o valente na sua valentia; não se glorie o rico nas suas riquezas.
24 Mas [23] o que se gloriar glorie-se n’isto, em que me entende e me conhece, que eu sou o Senhor, que faço beneficencia, juizo e justiça na terra; [24] porque d’estas coisas me agrado, diz o Senhor.
25 Eis que veem dias, diz o Senhor, [25] e visitarei a todo o circumcidado [ZF] com o incircumciso.
26 Ao Egypto, e a Judah, e a Edom, e aos filhos d’Ammon, e a Moab, [26] e a todos os [ZG] que moram nos ultimos cantos da terra, que habitam no deserto; porque todas as nações são incircumcisas, e toda a casa d’Israel é incircumcisa de coração.