Ouvinte
. Livrae-nos Senhor, de
todos os males passados, presentes, e
futuros: concedei-nos por vossa bondade paz em nossos dias; e pela
intercessão da Virgem Maria, dos vossos Apostolos S. Pedro e
S. Paulo, e
Santo André, e todos os Santos, pela vossa misericordia
sejamos sempre
livres do peccado, e seguros de toda a
perturbação.
Sacerdote
.
Lançando
a particula da Hostia no Calix diz
: Pax Domini
sit etc.
Ouvinte
. Concedei-nos, Senhor, que
a vossa paz seja sempre em nossos
corações; elles serão ricos com este
dom, que excede o nosso
conhecimento, como penhor da vida eterna.
Sacerdote
.
Inclinando,
e batendo no peito, diz
: Agnus Dei, etc.
Ouvinte
. Cordeiro de Deus, que
tiraes os peccados do mundo, tende
compaixão de nós (duas vezes). Cordeiro de Deus
que tiraes os peccados
do mundo, dae-nos a paz (uma vez).
Sacerdote
.
Diz as
orações, que precedem a Communhão da
Hostia e do
Calix, e depois diz
: Domine non sum dignus, etc.
Ouvinte
.
Deve
preparar-se com affectos de humilhação e
adoração para
commungar espiritualmente, dizendo
: Senhor, eu
não sou digno da menor
das vossas graças, com que vós me tendes
enriquecido, quanto mais d'este
maior beneficio, qual é a participação
do Sacramento do vosso Corpo: que
indigna morada é o meu coração para
n'elle entrar vossa Divina Pessoa!
Ah, Senhor, dae graça a este pequeno Zaqueo, para que a
saude venha
curar as feridas, com que a culpa manchou o domicilio da minha alma;
basta só a vossa palavra para que a minha alma seja salva;
já que vos
dignaes de que eu indigno peccador vos receba em espirito, fazei em mim
um espirito novo, um coração puro, para que a
participação do vosso
Corpo me não sirva de condemnação, mas
sim de salvação á minha alma, e
remedio de meu corpo. Amen.
Sacerdote
.
Continúa
com as oblações
: Quod ore, etc.
Ouvinte
. Ó Sagrado
banquete, ó Divino Manná, em que se gostam todas
as
delicias, Pão dos Anjos, que desceu do Ceu para alimento das
almas
puras, mystica meza, em que se encontram todas as doçuras
espirituaes, e
se renova vivamente a memoria do amor infinito, que o mesmo Jesu
Christo
nos fez presente, vindo ao mundo, padecendo e morrendo na Cruz: eu vos
adoro e glorifico, Divino Pastor, que assim procurastes o pasto
espiritual a esta perdida ovelha para a introduzir no rebanho dos
vossos
escolhidos.
Sacerdote
.
Quando
diz as ultimas orações
:
Postcom, etc.
Ouvinte
. Dae-nos, Senhor, aquelle
espirito de oração, sem o qual
ninguem póde bem orar; e como creio que a vossa Igreja
é animada d'este
espirito, eu ajunto á sua intenção as
minhas petições.
Sacerdote
.
Lançando
a benção sobre o povo diz
:
Benedicat vos, etc.
Ouvinte
. A
benção de Deus Padre, Filho, e Espirito Santo
santifique a
minha alma, e seja esta um signal da ultima
benção, que ha de separar os
escolhidos para o reino do Ceu.
Sacerdote
.
Vae
dizer o Evangelho de S. João
: In
principio erat
Verbum, etc.
Ouvinte
. No principio era o Verbo,
e o Verbo estava em Deus, e Deus
era o Verbo; todas as cousas foram feitas por elle, e nada do que se
fez
foi feito sem elle; n'elle estava a vida e a vida era a luz dos homens:
a luz resplandece nas trevas, e as trevas não o
comprehenderam: houve um
homem, mandado por Deus, que se chamava João: este veio ser
testemunha,
para dar testemunho á luz, para que todos cressem por elle:
elle não era
luz, mas veio para dar testemunho da luz. A luz verdadeira era aquelle,
que illustra todo o homem, que entra no mundo; estava no mundo, e o
mundo foi feito por elle, e o mundo não o conheceu. Veio
para a sua
propria herança, e os seus não o conheceram: elle
deu poder para se
poderem fazer filhos de Deus a todos aquelles que o receberam, e que
creram em seu nome, que não nasceram do sangue nem dos
desejos da carne,
e habitou entre nós, e nós vimos a sua gloria,
como a devia ter o Filho
unico do Pae; elle era cheio de graça, e de verdade. Demos a
Deus as
graças.
OFFERECIMENTO DA MISSA.
Omnipotente Deus, agora que com a vossa graça acabo de
assistir a este
Santo Sacrificio da Missa, novamente vos offereço a
sacratissima,
infinita e adoravel Victima de vosso unigenito Filho Jesu Christo, com
todos os seus merecimentos, em união d'aquella mesma
intenção com que a
Santa Madre Igreja vo-la offereceu no Sacrificio do altar; elle o
está
offerecendo eternamente no Ceu. E finalmente applicando o fructo de
graças e indulgencias, que, como participante d'este
Sacrificio, cheguei
a lucrar pela intercessão da sempre Virgem Maria, e de todos
os Santos,
especialmente d'aquelle em cuja memoria se vos dedicou esta Missa, vos
peço:
Primeiro
. Para mim
graça para vos servir e não offender;
perseverança
na virtude até o fim da vida; auxilio para vencer as
tentações
d'aquelles vicios, que mais dominam as minhas paixões; e dos
bens
temporaes aquelles, que vós, Senhor, sabeis que me
convém, e podem
conduzir para maior gloria vossa, e minha
salvação.
Segundo
. Vos rogo pelo augmento e
propagação da vossa Santa Fé
Catholica e extirpação das heresias.
Terceiro
. Vos rogo pelo estado e
conservação da Santa Madre Igreja
Catholica, e todos os seus respeitaveis Prelados, para que na
união do
supremo Pastor doutrinem, e governem em paz o rebanho dos fieis.
Quarto
. Pela paz entre os
Principes Christãos, em particular pelo
estado e conservação do nosso Reino, e seus
Fidelissimos Reis e mais
Familia Real.
Quinto
. Pelos meus parentes,
amigos e inimigos, por todos os
necessitados, pelos que estão em agonia de morte, pelos que
estão em
peccado mortal, para que se reduzam á verdadeira penitencia;
e pelos que
estão em vossa graça, para que os conserveis
n'ella. E em particular,
Senhor, vos rogo por aquelles, que devo, e estou obrigado a rogar.
Sexto
. Pelas almas do Purgatorio
por modo de suffragio, para que sendo
acceitaveis para a sua satisfação os infinitos
merecimentos de vosso
Filho Jesu Christo, lhes perdoeis as penas que padecem, e os leveis a
lograr a vossa vista eternamente ao Ceu. Amen.
ADVERTENCIA.
Advirtimos a todos, que lerem com attenção este
devotissimo modo de
ouvir Missa, façam uma reflexão séria
sobre a sua pratica, e acharão:
Primeiro
, uma
consolação interior, entrando no conhecimento do
que é o
Sacrificio da Missa, e o methodo de assistir a ella com
perfeição, pela
participação das suas
orações, e santas
ceremonias.
Segundo
, como se
lhe faz necessario o estarem sempre com attenção
a este Santo
Sacrificio, para poderem acompanhar o Sacerdote nas
acções, que elle
excita.
Terceiro
, que assim evitam
as distracções do pensamento, da
vista, e das criminosas conversações, que
costumam misturar, em quanto
ouvem Missa.
Quarto
, a decencia e
devoção com que necessariamente
estarão no Templo, evitando a vã e peccaminosa
curiosidade de verem, e
serem vistos, antes edificando-se mutuamente, pois só cuidam
em
empregarem os olhos, e a attenção no que
vêem exercitar no altar.
MODO DE REZAR A COROA
DAS DORES DE MARIA
SANTISSIMA,
A qual
consta de sete Mysterios, e cada um delles de um Padre Nosso, e sete
Ave Marias, e no
fim tres Ave Marias em memoria das
lagrimas da
Senhora.
ACTO DE CONTRIÇÃO.
Na presença de vossa Soberana Magestade, meu Jesus,
humildemente
prostrado, me confundo na consideração da vossa
infinita bondade, e dos
meus gravissimos peccados. Havei piedade de mim, meu Deus, concedei-me
o
perdão das minhas culpas, que de todo o
coração vo-lo peço. Peza-me,
Senhor, de vos ter offendido por serdes quem sois, tão bom,
tão santo, e
tão amavel: proponho nunca mais vos offender, nunca mais
peccar. Ouví-me
pelas excessivas dores de vossa Santissima Mãe. E
vós, piedosissima
Virgem Mãe, e Senhora, Maria Santissima, acceitai este
obsequio, que
agora vos faço em memoria das vossas Dores; e por ellas vos
peço,
Senhora, que me alcanceis a graça de uma verdadeira
conversão, e
arrependimento dos meus peccados, e todos aquelles bens espirituaes, e
temporaes, que me são convenientes. Tambem faço
tenção de lucrar todas
as indulgencias concedidas a esta Coroa, das quaes eu applico a mim as
que puder lucrar em satisfação dos meus peccados,
e as outras pelas
almas do Purgatorio, conforme a ordem da justiça, e
caridade. Amen.
Deus in adjutorium meum intende.
Domine, ad adjuvandum me festina.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto, etc.
I. DOR.
Na Profecia de Simeão.
Nesta primeira Dor contemplemos, que tal seria a
afflicção da Senhora,
ouvindo a profecia de Simeão, a qual lhe profetizava que
aquelle Menino
havia de ser ruina para muitos, e que na sua morte uma espada de dor
traspassaria a sua purissima alma.
P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.
Santissima Virgem, pela cruel espada que traspassou vossa Alma na
profecia de Simeão, alcançai-nos de Deus que
não sejamos daquelles, para
quem, conforme essa profecia, o Senhor ha de ser ruina; mas que antes
seja para nós eterna Resurreição. Amen.
II. DOR.
Na fugida para o Egypto.
Nesta segunda Dor contemplemos qual seria a
afflicção da Senhora,
vendo-se obrigada a fugir para o Egypto pela
perseguição de Herodes, que
impiamente buscava o seu amado Filho para o matar.
P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.
Santissima Virgem Maria, por aquelle susto e
afflicção, com que hieis
fugindo de Herodes para o Egypto, vos pedimos nos alcanceis uma efficaz
resolução de fugir a todas as
occasiões de peccar, e nos ampareis em
quanto andamos desterrados neste mundo. Amen.
III. DOR.
Na perda do menino Deus no Templo.
Nesta terceira Dor contemplemos qual seria a
afflicção, que a Senhora
padeceo, quando perdeo a seu Santissimo Filho no Templo de Jerusalem, e
tres dias o chorou perdido, sem o achar.
P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.
Ó Virgem Santissima, pela inconsolavel mágoa e
dor do vosso coração,
quando perdestes o vosso Filho saindo do Templo,
alcançai-nos graça para
que não o percamos jámais por nossas culpas. Amen.
IV. DOR.
No encontro com seu Filho caminhando para o
Calvario.
Nesta quarta Dor, que a Senhora padeceo, contemplemos qual seria a
afflicção, que penetrou a sua purissima alma,
quando se encontrou com
seu amado Filho, que desfigurado, e oprimido caminhava para o monte
Calvario com a pesada Cruz ás costas.
P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.
Ó Virgem afflictissima, por aquella dor cruel, que sentio o
vosso
coração, quando vistes o vosso Filho caminhando
com a Cruz para o monte,
concedei-nos uma grande dor dos nossos peccados, e uma terna
compaixão
dos seus tormentos. Amen.
V. DOR.
Na morte do Innocentissimo Jesus.
Nesta quinta Dor contemplemos qual seria a angustia, que a Senhora
padeceo ao pé da Cruz, quando vio expirar a seu amado Filho,
crucificado
entre dous ladrões, derramando sangue por todas as partes do
seu
Santissimo Corpo.
P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.
Ó Rainha dos Martyres, e afflictissima Senhora, por aquella
inexplicavel
angustia da vossa Alma, quando vistes expirar na Cruz o vosso amado
Filho, fazei que se aproveite em nós o fructo de
tão custosa morte.
VI. DOR.
Ao receber nos braços o Corpo do
Salvador.
Nesta sexta Dor contemplemos, que afflicção teria
a Senhora, quando
tirado o seu amado Filho da Cruz, tão deshumanamente morto,
lho puzerão
nos seus santissimos braços.
P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.
Ó Mãe de piedade, pela mágoa da vossa
Alma afflictissima, quando vieis
nos vossos braços o amado Filho ensanguentado, e morto, vos
pedimos que
depositeis no nosso coração esse Cadaver
sacrosanto, para que nunca
percamos da memoria a Paixão do vosso Filho. Amen.
VII. DOR.
Na triste Soledade da Senhora.
Nesta setima Dor contemplemos qual seria a pena que teve a Senhora,
quando, depois de sepultarem o SS. Corpo de seu Filho, ficou padecendo
a
mais dolorosa soledade.
P. N. e sete A. M. e Gl. P. etc.
Ó Saudosissima Senhora, pela dor inexplicavel que padecestes
no tempo da
vossa Soledade, vos pedimos que nos communiqueis uma viva saudade de
Deus e que nunca jámais percamos a sua amisade. Amen.
MEMORIA DAS LAGRIMAS DA SENHORA.
Seguem-se
tres Ave Marias, e depois dir-se-ha a seguinte
ORAÇÃO.
Sentidissima Senhora, pelas amargosas lagrimas, que chorastes no tempo
da vida, e morte do vosso amado Filho, nos concedei chorar tanto os
nossos peccados, que vos possa consolar a nossa
contrição. Amen.
[/V.] Rogai por nós, Virgem afflictissima.
[/R.] Para que sejamos salvos pela Paixão de Christo.
ORAÇÃO.
Meu Senhor Jesu Christo, em cuja Paixão, e Morte, conforme a
profecia de
Simeão, uma espada de dor traspassou a dulcissima Alma de
vossa Mãe
innocentissima; pelas suas lagrimas, e merecimentos nos concedei gozar
do preciosissimo fructo de vossa Paixão, e Morte. Amen.
ACTOS DE FÉ ESPERANÇA E CARIDADE.
Que se devem
fazer todas os dias
.
Meu Deus, eu creio firmemente tudo quanto a Santa Igreja me
propõe para
crer. Creio que vós sois o meu Deus, Creador de tudo, que
por uma
eternidade premiais os justos com o Céo, e castigais os
peccadores com o
inferno. Creio que vós sois um na Essencia, e Trino nas
Pessoas, Padre,
Filho, e Espirito Santo. Creio a Incarnação,
Morte, e Resurreição de
Jesu Christo. Creio finalmente tudo quanto crê a Santa Igreja
Catholica
Romana, porque vós Bondade, e Verdade o dissestes. Dou-vos
graças por me
haverdes feito Christão, e protesto que nesta Santa
Fé quero viver, e
morrer.
Meu Deus, fiado nas vossas promessas, porque vós sois
poderoso, fiel, e
misericordioso, espero pelos merecimentos de Jesu Christo o
perdão dos
meus peccados, a perseverança final, e a gloria do Ceo.
Meu Deus, eu vos amo com todo o meu coração, e
com toda a minha alma,
porque sois um bem infinito, e digno de todo o amor; e amo tambem a
todos os meus proximos, e ainda áquelles, que me tem feito
mal, porque
vós assim o mandais.
Misericordia, Senhor, para este peccador, que está aos
vossos pés
arrependido: peza-me de vos ter aggravado, porque peccando offendi a um
Deus de infinita Magestade, e de infinita Bondade, como vós
sois:
proponho ajudado com a vossa graça, de vos não
offender mais; e tambem
prometto de receber os Santos Sacramentos, assim em vida, como na
morte,
para gloria do vosso nome, e triunfo da vossa misericordia. Amen.
DEVOÇÃO
AO SS. SACRAMENTO.
Para a hora,
e dia em que foi instituido.
Queixando-se Christo Senhor nosso a alguns servos seus da grosseira
ingratidão, com que os mortaes se esquecem do extremoso
amor, com que se
deixou ficar comnosco no Divino Sacramento, soffrendo em todos os
seculos tantos desacatos, e irreverencias, só por estar, e
assistir
comnosco; porque a sua delicia foi sempre a companhia dos homens:
Deliciae meoe esse cum filiis
hominum
: costumão algumas almas devotas,
e amantes deste Senhor, desaggravá-lo no modo possivel,
fazendo memoria
do dia, e hora, em que o Senhor instituio este admiravel Sacramento, e
deste modo tributão ao Senhor todos os obsequios, que lhes
ministra a
sua devoção, se não os devidos
áquella Suprema Magestade, ao menos os
que cabem na nossa humilde, e curta capacidade:
(Expõem-se aqui alguns para quem quizer seguir estes devotos
corações, e
participar dos merecimentos, e orações de tantas
almas, que fazem este
exercicio, e rogão por todos aquelles, que nelle
ás acompanhão.)
(O dia da Instituição do Divino Sacramento foi
(como referem os
Evangelistas[
]) na vespera da
Morte do Senhor, e na
sentença de muitos
Padres, foi a quinta feira 24 de Março. A hora, a das oito
para as nove
da noite, conforme a commum opinião de muitos Authores.
Esta pois, se for possivel, ou outra qualquer que for mais commoda,
gastará o Fiel em orações vocaes, ou
mentaes, prostrado com a mais
profunda humildade na presença d'este amante Senhor, e
chegando á sua
presença, fará uma profunda
adoração, convidando ao Anjo da sua guarda,
e aos mais, que alli assistem, para que adorem ao mesmo Senhor, e o
ajudem nesta Devoção.
Depois de um fervoroso Acto de
Contrição, dirá
:
I.
Oh clementissimo Senhor, e Deus omnipotente, todo brando, e amoroso,
todo suave, e doce, prostrado ante o Regio Throno da vossa Grandeza,
vos
peço licença para nesta hora entrar na vossa
presença, louvando vossa
Misericordia immensa, adorando vossa Magestade incomprehensivel, e
amando vossa Bondade infinita. Illustrai meu entendimento, inflammai
minha vontade, e ensinai-me, Senhor, como estarei com a devida
reverencia a vossos pês; com que modo vos agradecerei este
favor; que
Hymnos cantarei em louvor d'esta mercê, e em obsequio deste
beneficio.
Bem vedes, Senhor, a minha pobreza; dai-me o que devo offerecer-vos:
sendo vós a maior davida, a vós mesmo vos
offereço em agradecimento
della.
II.
Oh Pae Eterno, recebei, Deus meu, em acção de
graças, e dignissimos
louvores, pelo amor, que nos mostrastes, os que vosso Filho Unigenito
vos deo desde sua Incarnação, até sua
Morte na Cruz; e particularmente
quando instituio este Divino Sacramento; porque, conhecendo
quão
limitados eramos para agradecer este favor, levantando seus olhos a
vós,
seu Omnipotente Pae, em nome de nós todos vos deo as
graças.
III.
Recebei, ó Pae Santissimo, tambem os louvores, e
graças, que minha Mãe,
e Senhora, a Virgem Purissima vos deo, quando este Senhor se
sacramentou, e quando ella o recebeo em suas entranhas purissimas.
IV.
Bemdigão-vos, Deus meu, nesta hora comigo, pelo que
obrastes, todos os
Angelicos Espiritos, que no Throno de vossa Magestade vos assistem,
tremendo em vossa presença, cantando
continuamente:
Sanctus, Sanctus,
Sanctus
.
V.
Louvem-vos, Sacramentado Senhor, nesta hora comigo, e sempre
engrandeção
esta admiravel obra, este maravilhoso invento, esta prodigiosa dadiva,
e
este incomprehensivel favor, todos os Cortezãos do Ceo;
alegrem-se em
seus magestosos lugares; alternem suavissimos Canticos; lancem em vossa
presença suas coroas, e victoriosas insignias;
dêem-vos milhares, e
milhares de adorações, e graças;
porque estreitando-vos a uns limitados
accidentes, vos déstes por sustento a nossas almas.
Vinde, vinde, todas as almas amantes deste Senhor, e choremos na sua
presença com lagrimas de sangue da mais penetrante dor a
ingratidão, com
que é correspondido seu excessivo amor, as irreverencias,
com que é
tratado, e a frouxidão, com que é assistido.
Ó maravilhoso sacramento, eu vos adoro, eu vos bemdigo,
louvo e
engrandeço. Vós sois o Pão do Ceo,
sustento dos Anjos, manjar da vida!
Vós sois o esforço da nossa fraqueza, companhia
da nossa peregrinação,
alegria do nosso desterro.
Como pois, conhecendo vós minha indignidade, me
não excluistes deste
favor? Como me chamais para vos receber neste soberano convite? Aqui
venho Senhor, aqui estou, aqui chego a buscar em vós
arrependimento,
graça, conhecimento, e mais e mais amor.
Seguem-se vinte e quatro
Adorações para reparar as injurias, que se
fazem ao Senhor nas vinte e quatro horas do dia. Estas
Adorações se
devem fazer mais com o espirito, do que com as vozes
.
I.
Eu vos adoro, Divindade escondida, e vos conheço dignissima
de toda a
honra; eu vos offereço em satisfação
das injurias commettidas na vossa
mesma presença, as adorações que vos
tributou a Santissima Virgem, vossa
Mãe, no primeiro instante da vossa
Conceição em suas castissimas
entranhas; eu vos rogo me façais a graça de poder
com a mesma purissima
Senhora eternamente dizer e cantar: Bemdito e louvado seja o Santissimo
Sacramento para sempre.
II.
Eu vos adoro, Humanidade Sagrada, e sempre unida ao Divino Verbo, e vos
reconheço infinitamente amavel; eu vos offereço,
em satisfação das
irreverencias feitas na vossa Divina presença, os respeitos
de todos os
Anjos e Archanjos, com os quaes espero eternamente dizer e cantar:
Bemdito e louvado, etc.
III.
Eu vos adoro, Jesus, meu doce Salvador, e vos reconheço
sempre adoravel
e eterno: eu vos offereço em reparação
das blasfemias, que se tem
proferido na vossa Divina presença, os louvores de todos os
Córos dos
Principados, com os quaes espero eternamente cantar: Bemdito e louvado,
etc.
IV.
Eu vos adoro, Soberano Senhor do Universo, e vos reconheço
sempre
adoravel e independente: eu vos offereço, em
satisfação das minhas
indevoções, commettidas na vossa Divina
presença, os piedosos affectos
das Dominações, com as quaes espero eternamente
dizer e cantar: Bemdito
e louvado, etc.
V.