Sim, meu Jesus, eu vos quero contentar, eu vos consagro toda a minha
vontade, e todos os meus affectos. Ó Magestade infinita de
hum Deus, vós
vos deixastes ficar nesse Divino Sacramento, não
só para estardes
presente a nós, mas principalmente para vos communicardes
ás almas
vossas escolhidas. Porém, Senhor quem se atreverá
a avisinhar-se á vossa
Meza, e alimentar-se da vossa carne? Mas quem pelo contrario
poderá
separar-se de vós! Vós a este fim vos escondeis
debaixo das especies
sacramentaes, para entrardes dentro de nós, e para
possuirdes os nossos
corações: vós desejaes que
nós vos recebamos, e gostais de estardes
unido comnosco. Vinde pois, meu Jesus, vinde: eu desejo receber-vos
dentro de mim, para que sejais o Deus do meu
coração, e da minha
vontade. Quanto é da minha parte, meu amado Redemptor,
cedão ao vosso
amor satisfações, contentamentos, vontade,
propria, tudo, tudo vos ceda.
Ó amor, ó Deus de amor, reinai, triumfai de mim
todo; destruí, e
sacrificai em mim tudo aquillo, que é meu, e não
é vosso: não
permittais, amor meu, que a minha alma, cheia da magestade de hum Deus,
depois de vos ter recebido na Sagrada Communhão, haja de
prender-se ás
creaturas. Amo-vos, Deus meu, amo-vos, e sempre vos quero amar.
Minha vontade, etc. (
Como a pag.
19.
)[
]
A Communhão Espiritual
.
(
que vai a pag. 11.
)[
]
VISITA XIII.
A Maria Santissima.
Ó Maria, eu bem sei que vós sois a creatura mais
nobre, a mais sublime,
a mais pura, a mais bella, a mais benigna, a mais santa, a mais amavel
de todas as creaturas. Oh se todos vos conhecessem, e vos amassem, como
vós mereceis! Bem quizera eu amar-vos, mas
conheço que vos não amo, como
devo: fazei ó minha Senhora, que de hoje em diante vos ame
com hum amor
verdadeiro, e efficaz, e perseverante: se eu devéras vos
amar, serei
salvo: porque este é um signal de
predestinação, e huma graça, que Deus
não concede, senão áquelles, aquem
quer salvar: rogai por mim, ó
Senhora, rogai, até que eu me veja no Ceo, livre do perigo
de perder a
graça de meu Senhor, e seguro de o amar, e a vós
por toda a eternidade.
Virgem Soberena, etc. (
Como a pag.
22.
)[
]
VISITA XIV.
Este o meu descanço para sempre: aqui
tenho de morar, pois o escolhi
.
(
Psalmo 131.
) Amabilissimo Senhor,
se vós escolhestes a vossa
habitação entre nós, deixando-vos
ficar sobre os nossos altares no SS.
Sacramento, e ahi o amor, que nos tendes, vos faz achar o vosso
repouso,
é razão tambem que os nossos
corações habitem sempre comvosco por
affecto, e ahi achem toda a delicia e contentamento. Oh ditosas
vós,
almas amantes, que não achais no mundo outro
descanço mais que o de
estardes visinhas ao vosso Jesus Sacramentado! E ditoso, seria eu
tambem, meu Senhor, se não achasse de hoje em diante outro
contentamento, mais que estar sempre comvosco e sempre cuidando em
vós,
em vós, Senhor, que estais no SS. Sacramento sempre cuidando
em mim.
Ah, meu Senhor! e porque perdi tantos annos, em que vos não
amei? Annos
infelises, e desgraçados, eu vos aborreço, e vos
detesto. Ó paciencia
infinita do meu Deus, eu vos louvo, e vos adoro, pois que tantos annos
me tendes supportado tão ingrato ao vosso amor. Mas assim
mesmo ingrato,
vós me tendes esperado. E porque, Deus meu, porque? Para que
vencido em
um dia, das vossas misericordias, e do vosso amor, me renda todo a
vós,
Senhor, eu não quero resistir mais; não quero
ser-vos mais ingrato. He
razão que eu vos consagre ao menos este tempo, que ou pouco,
ou muito me
resta de vida. Espero meu Jesus, que me haveis de ajudar para ser todo
vosso. Vós me tendes favorecido quando eu vos fugia, e
desprezava o
vosso amor, e haveis-me de deixar agora? Agora, Senhor, que eu vos
busco
e que desejo sinceramente amar-vos? Não, não o
espero da vossa infinita
bondade. Dai-me pois a graça de amar-vos; ó Deus
digno de infinito amor.
Eu vos amo com todo o meu coração; amo-vos sobre
todas as cousas;
amo-vos mais que a mim mesmo, mais que a minha propria vida. Peza-me
muito, muito de vos ter offendido, Bondade infinita: perdoai-me, e
junto
com o perdão concedei-me a graça de eu nesta vida
vos amar efficazmente
até á morte, e por toda a eternidade na outra.
Fazei ver com o vosso
poder, ó Deus omnipotente, este prodigio no mundo, que uma
alma tão
ingrata, como a minha, se transforma em uma das mais vossas amantes.
Fazei-o assim, Senhor, pelos vossos merecimentos: eu assim o desejo, e
proponho de o fazer assim em toda a minha vida: vós que me
inspirais o
desejo, dai-me as forças.
Minha vontade, etc. (
Como a pag.
19.
)[
]
A Commmnhão Espiritual
.
(
que vai a pag. 11.
)[
]
VISITA XIV.
A Maria Santissima.
Nós vos rogamos, ó Santissima Senhora, por
aquella graça, que Deus vos
communicou, de vos fazer tão poderosa no Céo, e
na terra, que vos
compadeçais de nós; apressai-vos, ó
misericordiosissima, Senhora, a
procurar-nos aquelle bem pelo qual Deus se contentou de fazer-se homem
nas vossas castissimas entranhas: não desprezeis os nossos
rogos: se vós
pedirdes ao vosso Filho, elle logo vos despachará: basta que
vós querais
que nós nos salvemos, que então, junto com os
merecimentos do nosso
Redemptor, não poderemos deixar de fazer obras dignas de
nossa salvação.
Ora Senhora, quem poderá restringir as entranhas da vossa
misericordia?
Se não tendes compaixão de nós,
Senhora, que sois a Mãe de misericordia,
que será de nós, quando vosso Filho vier a
julgar-nos?
Virgem Soberana, etc. (
Como a pag.
22.
)[
]
VISITA XV.
Dizia o Veneravel Padre D. Francisco Olympio, Theatino, não
haver cousa
na terra, que mais vivamente accenda o fogo do Divino amor no
coração
dos homens, do que o Santissimo Sacramento do altar. Por isso o Senhor
se fez vêr a Santa Catharina de Sena no SS. Sacramento, como
uma
fornalha de amor, da qual sahião torrentes de divinas
chammas, que se
espalhavão por toda a terra, ficando a Santa pasmada,
considerando como
era possivel que os homens pudessem viver no meio daquelle divino
incendio, sem se abrasarem de amor. Ah, meu Jesus! Fazei que eu arda no
vosso amor: fazei que eu não cuide, não suspire,
não deseje, não busque
outro bem fóra de vós. Oh ditoso eu, se me
deixasse possuir todo deste
divino fogo, e ao mesmo passo que se vão consumindo os meus
annos, se
fossem tambem destruindo em mim todos os affectos terrenos.
Ó Verbo Divino, ó Jesus meu, eu vos vejo todo
sacrificado, todo
aniquilado por amor de mim nesse altar: é razão
que, assim como vós vos
sacrificastes, fazendo-vos victima de amor, tambem eu me consagro todo
a
vós. Sim, meu Deus, e meu supremo Senhor: eu vos sacrifico
hoje toda a
minha alma, toda a minha vontade, toda a minha vida, e a mim todo.
Desejo unir este meu pobre sacrificio com o sacrificio infinito. que
vos
fez de si mesmo, ó Eterno Pae, Jesu Christo vosso Filho, e
meu Salvador,
sobre a Cruz, e que vos faz todos os dias tantas vezes sobre os
altares,
acceitai-o pois, Senhor, pelos merecimentos do meu Divino Redemptor; e
dai-me graça de repetir este sacrificio todos os dias da
minha vida, e
de morrer, sacrificando-me todo ao vosso amor, e á vossa
honra: desejo a
graça concedida a tantos Martyres, de morrer pelo vosso
amor; mas se de
tanto favor não me achais digno, ao menos, meu Senhor,
concedei-me que
vos sacrifique com toda a vontade a minha vida, abraçando
com toda a
resignação aquella morte, que a vossa providencia
me quizer dar. Senhor,
haveis de fazer-me esta graça: quero morrer com a vontade de
honrar-vos
e de vos dar gosto; e desde agora vos sacrifico a minha vida, e vos
offereço a minha morte, qualquer que ella seja.
Minha vontade, etc. (
Como a pag.
19.
)[
]
A Communhão Espiritual
,
(
que vai a pag. 11.
)[
]
VISITA XV.
A Maria Santissima.
Soccorrei-nos, ó misericordiosissima Senhora, sem olhardes
para a
multidão dos nossos peccados: lembrai-vos que o nosso
Creador tomou
carne humana de vós, não para condemnar os
peccadores, mas para
salvá-los. Se não fosseis feita Mãe de
Deus mais que para Vossa honra, e
gloria, poder-se-hia dizer que não vos interessava tanto,
que nós nos
salvassemos, ou nos perdessemos, mas Deus se vestio da vossa carne pela
nossa salvação, e pela
salvação de todos os homens. De que nos
servirá
que sejais toda poderosa, e gloriosa, se não nos fizerdes
participantes
da vossa felicidade? Ajudai-nos, e protegei-nos; vós bem
sabeis a
necessidade que temos da vossa assistencia; a vós nos
recommendamos:
fazei que não nos condemnemos, mas que sirva-mos e amemos
eternamente ao
vosso Filho Jesu Christo.
Virgem Soberana, etc. (
Como a pag.
22.
)[
]
VISITA XVI.
Oh se os homens recorressem sempre ao SS. Sacramento a buscar o remedio
dos seus males! Por certo que não serião
tão miseraveis como são.
Chorava Jeremias, dizendo:
Acaso não ha
resina (ou balsamo) em Galand,
ou não ha ahi já medico
?
(
Jesem. 8.
) Galand, monte da
Arabia, rico de
unguentos aromaticos, como nota Beda, é a figura de Jesu
Christo, que
tem apparelhados neste Sacramento todos os remedios para os nossos
males. Pois porque (parece que diz o Redemptor) vos queixaes,
ó filhos
de Adão, dos vossos males, quando tendes neste Sacramento o
Medico, e o
remedio de todas as vossas
afflicções?
Vinde a mim todos, e
eu vos
darei allivio
. Ah, Senhor, Permitti-me que eu vos
diga com a Irmã de
Lazaro:
Eis aqui está enfermo aquelle a
quem amais
. Senhor, eu sou
aquelle miseravel que vós amais: tenho a minha alma cheia de
chagas, que
nella abrirão os meus enormes peccados; venho ter comvosco,
ó meu Divino
Medico, para que me sareis: vós podeis, e quereis
sarar-me:
Sarai a
minha alma, porque tenho peccado contra
vós
.
Attrahi-me todo a vós, meu dulcissimo Jesus, com os
amabilissimos
attractivos do vosso amor: eu estimo em mais estar unido comvosco, que
ser senhor de toda a terra. Eu não desejo outra cousa neste
mundo mais
que amar-vos. Pouco, ou nada tenho que vos dar; mas se pudesse haver
todos os Reinos do mundo, sómente os quereria, para os
renunciar todos
pelo vosso amor. Eu vos entrego tudo quanto posso e valho, tudo quanto
possuo, parentes, commodidades, gostos, e até as mesmas
consolações
espirituaes: renuncio em vós a minha liberdade, e a minha
vontade; a vós
quero entregar todos os meus amores. Amo-vos, Bondade infinita, amo-vos
mais que a mim mesmo, e espero amar-vos eternamente.
Minha vontade, etc. (
Como a pag.
19.
)[
]
A Communhão Espiritual
.
(
que vai a pag. 11.
)[
]
VISITA XVI.
A Maria Santissima.
Ó Santissima Virgem, soccorrei aquelles, que
implorão a vossa
assistencia voltai-vos a nós, ó Clementissima:
por ventura
esquecer-vos-heis dos homens porque sois deificada? Ah, não
certamente!
vós já sabeis em que perigos nós
estamos, e o miseravel estado em que se
achão os vossos servos. Não, não
convém a uma misericordia tão
excessiva, como é a vossa, esquecer-se de uma tão
grande miseria, como a
nossa é. Olhai para nós com o vosso poder: porque
aquelle Senhor, que é
o Omnipotente, vos fez prodigiosa no Céo e na terra. A
vós nada é
impossivel: quanto mais poderosa sois, tanto mais deveis ser
misericordiosa.
Virgem Soberana, etc. (
Como a pag.
22.
)[
]
VISITA XVII.
As almas amantes não tem maior contentamento, que estarem na
presença
das pessoas, a quem amão. Se amamos pois, e amamos
devéras a Jesu
Christo, eis-aqui estamos na sua presença: Jesus no
Sacramento nos vê, e
nos ouve, e nós não lhe dizemos nada! Ora
consolemo-nos com a sua
companhia; gozemos da sua gloria, e daquelle fervoroso amor, com que
tantas almas o adorão no SS. Sacramento. Desejemos que todos
amem a
Jesus Sacramentado, e lhe consagrem seus
corações: ao menos
consagremos-lhe nós todos o nosso affecto; seja elle todo o
nosso
desejo, todo o nosso amor. O Padre Selesio sentia-se transportado de
consolação só de ouvir fallar no SS.
Sacramento: não se saciava jámais
de visital-o: se era chamado á portaria, se tornava para a
cella, de
todas estas occasiões se servia para duplicar as visitas ao
seu amado
Senhor; de tal sorte que apenas passava hora do dia, que não
o
visitasse; e mereceo em fim morrer ás mãos dos
Herejes, em quanto
defendia a verdade do Sacramento. Oh se eu tivesse a dita de morrer por
um tão bello motivo de sustentar a verdade deste Sacramento,
pelo qual,
ó amabilissimo Jesus, vós nos tendes dado a
entender a efficacia do
amor, que nos tendes! Mas, Senhor meu, já que fazeis tantos
milagres
nesse Sacramento, fazei agora mais outro milagre: attrahi-me todo a
vós;
dai-me as forças, que hei mister para amar-vos com todo o
affecto. Os
bens deste mundo dai-os a quem vos agradar; eu os renuncio todos: o que
quero, e por que anciosamente suspiro, é só pelo
vosso amor: isto é o
que eu vos peço, e sempre pedirei: amo-vos, meu Jesus,
dai-me o vosso
amor, e nada mais vos peço.
Minha vontade,etc. (
Como a pag.
19.
)[
]
A Communhão Espiritual
.
(
que vai a pag. 11.
)[
]
VISITA XVII.
A Maria Santissima.
Ó Mãe de Deus, eu sei que sois toda benigna, e
que nos amais com um amor
summamente compassivo: quantas vezes vós aplacais a ira do
nosso Juiz,
fazendo que elle suspenda os castigos, que nós merecemos!
Todos os
Thesouros da misericordia de Deus estão nas vossas
mãos. Ah, minha
Senhora! Vós, que não perdeis occasião
de salvar todos os miseraveis,
que arrependidos a vós recorrem, e de os fazer participantes
da vossa
gloria não deixeis nunca de nos favorecer:
acudí-nos, para que possamos
algum dia vêr-vos no Céo; pois na verdade, a maior
gloria, que podemos
ter, é de vos vêr, (depois de Deus) e de amar-vos,
e estarmos debaixo da
vossa protecção. Ouvi Senhora, as nossas
súpplicas já que o vosso Filho
quer honrar-vos, não vos negando cousa alguma do que lhe
pedirdes.
Virgem Soberana, etc. (
Como a pag.
22.
)[
]
VISITA XVIII.
Um dia no Valle de Josaphat apparecerá Jesu Christo sentado
em throno de
magestade; mas agora no SS. Sacramento está assentado em
throno de amor.
Se um Rei para mostrar um grande amor que tivesse a um pobre pastor,
viera a habitar dentro da sua cabana; que ingratidão seria,
se o tal
pastor não o visitasse muitas vezes, sabendo porque o Rei,
por ter gosto
de o vêr, tinha vindo hospedar-se na sua
habitação! Ah meu Jesus! por
meu amor sei que viestes estar no SS. Sacramento do altar; bem quizera
eu, se me fosse possivel estar aqui na vossa presença de
dia, e de
noite. Se os Anjos, ó meu Senhor, estão ahi
á roda de vós, pasmados do
amor que nos tendes, é razão que vendo-vos eu por
amor de mim nesse
altar, vos contente ao menos com estar aqui louvando o amor, e bondade,
com que tratais esta vil criatura,
Diante dos Anjos
vos louvarei; Irei
ao vosso Templo adorar-vos, e dar graças ao vosso Nome pela
vossa
misericordia, e verdade
. (
Psalm.
137.
) Ó Deus Sacramentado, ó
Pão dos
Anjos, ó sustento Divino, eu vos amo; mas nem eu nem
vós somos contentes
do meu amor: amo-vos sim, mas amo-vos mui pouco. Fazei vós,
meu Jesus,
que conheça a beleza, e bondade imensa, que eu amo: fazei
que o meu
coração separe de si todos os affectos terrenos,
e dê todo o logar ao
vosso Divino amor. Vós, para me attrahirdes, e para vos
unirdes todo a
mim, desceis todos os dias do Céo sobre os nossos altares;
é razão que
eu não cuide em outra cousa mais que amar-vos, adorar-vos, e
dar-vos
gosto. Amo-vos com toda a minha alma, e com todos os meus affectos; se
quereis pagar, Senhor, este amor, dai-me mais amor, mais chammas, que
me
abrasem, que me façam sempre amar-vos, desejar sempre,
sempre
servir-vos, e obedecer-vos.
Minha vontade, etc. (
Como a pag.
19.
)[
]
A Communhão Espiritual
.
(
que vai a pag. 11.
)[
]
VISITA XVIII.
A Maria Santissima.
Ó nossa Princeza, a vós é que Deus
concede toda a qualidade de graças.
Sois chamada cheia de graça, porque concebestes por obra do
Espirito
Santo, que desceo sobre vós; ouví pois,
ó Santissima Virgem, as nossas
supplicas, e lembrai-vos de nós. Participai-nos os dons das
vossas
riquezas, e da abundancia das graças, de que sois cheia. O
Archanjo vos
sauda, e vos chama cheia de graça. Todas as
Nações vos acclamão por
bemaventurada: todas as Jerarquias do Ceo vos bem dizem, e
nós, que
somos da Jerarquia terreste, tambem agora vos bem dizemos: Deus vos
salve, ó cheia de graça, o Senhor é
convosco: rogai por nós, ó Mãe de
Deus, Senhora nossa, e nossa Rainha.
Virgem Soberana, etc. (
Como a pag.
22.
)[
]
VISITA XIX.
Não ha cousa mais suave, que achar-se cada um na companhia
do seu maior
amigo: e não nos será summamente deleitavel
estarmos nós n'este valle de
lagrimas em companhia do amigo mais fiel, que temos, que nos
póde dar
todos os bens, que excessivamente nos ama e que por isso
está comnosco
continuamente! Alli o temos no SS. Sacramento: alli lhe podemos a toda
a
hora fallar á nossa vontade, abrindo-lhe o nosso
coração, expor-lhe as
nossas necessidades, e pedir-lhe as suas graças:
nós podemos tratar com
o Rei do Céo neste Sacramento com toda a amorosa
confiança. Foi
bastantemente ditoso José, quando desceo Deus com a sua
graça (como
attesta a Escriptura) ao carcere onde estava, a consolá-lo;
mas muito
mais ditosos somos nós em ter sempre comnosco nesta terra de
miserias o
nosso Deus feito homem, que com a sua Real presença
está na nossa
companhia todos os dias da nossa vida, com tanto amor e
compaixão de
nós. Que consolação não
é para um pobre encarcerado ter um amigo, que vá
repetidas vezes manter-lhe a conversação, que o
console, que o soccorra,
que lhe dê esperanças, que ponha todo o seu
cuidado em livral-o da sua
desgraça! Pois eis ali o nosso bom amigo Jesu Christo, que
naquelle
Sacramento nos fortalece, e nos anima, dizendo-nos: Aqui estou todo por
amor de vós vindo de proposito lá do
Céo a esta vossa presença para vos
consolar, para vos ajudar, e para vos livrar: fallai comigo, uni-vos a
mim, que assim não sentireis as vossas miserias, e depois
vireis comigo
ao meu Reino, onde vos farei summamente bemaventurados.
Oh Deus! Oh amor incomprehensivel! Já que vos dignais de ser
tão affavel
comnosco, que, por estardes visinho a nós, desceis sebre os
nossos
altares, eu proponho visitar-vos repetidas vezes: quero gozar, quanto
me
fôr possivel, da vossa dulcissima presença;
daquella presença, que
constitue a Bemaventurança do Paraiso. Oh! se eu pudesse
estar sempre
aqui diante de vós para adorar-vos, e fazer repetidos actos
de amor
vosso! Reprehendei-me, Senhor, quando por tibieza, ou pelos negocios do
mundo, deixar de visitar-vos. Excitai em mim um grande desejo de estar
sempre junto de vós nesse Sacramento. Ah, meu amoroso Jesus!
Quem vos
tivera sempre amado! Mas a minha consolação agora
é ver que ainda me
resta tempo de assim o fazer, não só na outra
vida, mas ainda nesta. Eu
assim o quero executar: quero amar-vos devéras, meu summo
bem, meu amor,
meu thesouro, meu tudo, quero amar-vos com todas as minhas
forças.
Minha vontade, etc. (
Como a pag.
19.
)[
]
A Communhão Espiritual
.
(
que vai a pag. 11.
)[
]
VISITA XIX.
A Maria Santissima.
Attrahi-me a vós, ó Virgem Maria, para que eu
corra aos suaves cheiros
dos vossos perfumes. Attrahi-me porque o peso dos meus peccados, e
malicia dos meus inimigos me detem: vós sois aquella, que
ensinais a
verdadeira sabedoria: vós sois a que impetrais a
graça aos peccadores,
porque sois a sua advogada: vós aquella que prometteis a
gloria a quem
vos honra, porque sois o thesouro de Deus, e a thesoureira das suas
graças.
Virgem Soberana, etc. (
Como a pag.
22.
)[
]
VISITA XX.
Tempo virá em que ha de haver uma fonte
patente á casa de David, e para
os moradores de Jerusalem, em a qual se lave o
peccador
. (
Zacharias
13.
) Jesus no Sacramento é esta fonte
para todos aberta, onde podemos
(sempre que quizermos) lavar as nossas almas de todas as manchas dos
peccados, que cada dia commettemos. Quando qualquer de nós
cahe em algum
defeito, ah? e que bello remedio é recorrer logo ao
Santissimo
Sacramento! Sim, meu Jesus, assim proponho de o fazer sempre; muito
mais
sabendo, que as aguas dessa fonte não só me
lavão, mas tambem me dão
luz, e me dão forças para não cahir, e
para soffrer alegremente as
contradicções da minha propria vontade, e do meu
genio; e me inflammão,
e excitão a amar-vos. Eu sei que a este fim esperais
vós que eu vos
visite e recompensais as visitas dos vossos amantes com superabundantes
graças. Ah, meu Jesus! Compadecei-vos deste grande peccador,
lavai-me de
todos os defeitos, que tenho hoje commettido, dos quaes me peza muito,
por vos haver desgostado: dai-me forças para não
tornar mais a cahir, e
excitai dentro em mim um vivo desejo de vos amar muito, muito. Oh quem
pudéra estar sempre vizinho a vós, como fazia
aquella vossa serva fiel,
Maria Dias, que viveo no tempo de Santa Thereza, e alcançou
licença do
Bispo de Avila para habitar sempre na tribuna de uma Igreja, onde
continuamente assistia diante do SS. Sacramento, a quem ella chamava o
seu vizinho; e não se retirava della, senão para
ir a confessar-se, e
commungar. O Veneravel Fr. Francisco do Menino Jesus Carmelita
Descalço,
passando pelas Igrejas, onde estava o SS. Sacramento, não
podia deixar
de entrar a visitál-o, dizendo que era incivilidade passar
um amigo pela
porta do seu amigo, e não entrar em sua casa, ao menos para
o saudar, e
dizer-lhe uma palavra. Mas elle não se contentava com isso,
e
demorava-se sempre, quanto lhe era permittido, na presença
do seu amado
Senhor Sacramentado.
Ah, meu unico e infinito bem! Eu não ignoro, que
vós instituistes esse
Divino Sacramento e estais nesse altar para serdes de mim amado:
vós
para este fim me tendes dado um coração capaz de
amar-vos. Mas eu
ingrato, porque vos não amo, ou porque vos amo
tão pouco? Não, não é
justo que seja frouxamente amada uma bondade tão amavel,
como vós. Sois
um Deus infinito, e eu um miseravel bichinho da terra. Na verdade,
Senhor, é pouco o morrer eu por vós; que
morrestes por mim; por vós, que
vos deixastes nesse Sacramento por mim, e que todos os dias vos
sacrificais sobre os nossos altares por amor de mim. Vós
mereceis ser
muito amado; eu vos quero amar muito: ajudai-me, meu Jesus, ajudai-me a
amar-vos, e a executar tudo aquillo, que é do vosso agrado,
e que vós
quereis que eu faça.
Minha vontade, etc. (
como a pag.
19.
)[
]
A Communhão Espiritual
.
(
que vai a pag. 11.
)[
]
VISITA XX.
A Maria Santissima.
Ó dulcissima Virgem, Vós achastes
graça diante de Deus, porque fostes
preservada da mácula original, cheia do Espirito Santo, e
por obra do
mesmo Espirito Santo concebestes o mesmo Filho de Deus. Vós
recebestes
todas estas graças, não só para
vós, mas tambem para nós a fim de nos
amparar em todas as nossas afflições.
É verdade, Senhora, que vós assim
o fazeis; vós soccorreis os bons, conservando-os na
graça, e os máos,
reduzindo-os a receber a Divina misericordia: vós ajudais os
moribundos,
protegendo-os contra os enganos do demonio, e os ajudais ainda depois
da
morte, recebendo as suas almas, e conduzindo-as á
Bemaventurança: ó
Maria piedosa, bemaventurado o que vos serve, e em vós
confia.