Rezará o mesmo á honra da dôr, que o Senhor teve, quando com uma canna lhe derão sobre a corôa de espinhos, dizendo-lhe: Deus te salve, Rei dos Judeos.



DIA QUINZE.

Sexta feira.

Rezará o mesmo á honra da dôr, que o Senhor teve quando com grande crueldade o despirão de todos os seus vestidos, e lhe vestirão uma vestidura vermelha com grande escarneo.



DIA DEZESEIS.

Sabbado.

Rezará o mesmo á honra da dôr, que o Senhor teve, quando Pilatos o mostrou por uma janella aos Fariseos, e ao Povo, dizendo: Eis aqui o Homem; e de, como o Senhor estava lastimoso, e chagado, que apenas tinha semelhança de homem.


DIA DEZESETE.

Domingo.

Rezará o mesmo á honra da dôr, que o Senhor teve, quando ouvio dizer aos Fariseos: Crucifica-o, crucifica-o.



DIA DEZOITO.

Segunda feira.

Rezará o mesmo á honra da dôr, que o Senhor teve, quando ouvio dizer aos Fariseos, que o seu sangue cahisse sobre elles, e sobre seus filhos, dizendo Pilatos, que lavava as mãos de seu sangue e de sua innocencia.


DIA DEZENOVE.

Terça feira.

Rezará o mesmo á honra da dôr, que o Senhor teve, quando Pilatos lhe deo a sentença de morte de Cruz.


DIA VINTE.

Quarta feira.

Rezará o mesmo contemplando nas affrontas, com que o Senhor foi levado a crucificar, pondo-lhe a Cruz aos hombros, com a qual cahio muitas vezes.



DIA VINTE E UM.

Quinta feira.

Rezará o mesmo á honra de quando a santa mulher lhe deo o lenço, com o qual o Senhor alimpou seu Sagrado Rosto, e nelle ficou sua Santa Effigie.



DIA VINTE E DOUS.

Sexta feira.

Rezará o mesmo á honra, da dôr que o Senhor teve e sua Mãe Santissima, quando se virão entre a multidão de gente, e o buscou, desprezando-a os Judeos.



DIA VINTE E TRES.

Sabbado.

Rezará o mesmo á honra da dôr que o Senhor teve, quando com impeto o despirão, levando-lhe na tunica a pelle, que pelas suas Sacrosantas Chagas estava pegada, sendo assim pregado na Cruz no alto do monte Calvario.


DIA VINTE E QUATRO.

Domingo.

Rezará o mesmo á honra da grande dôr, que o Senhor teve, quando levantarão seu sagrado corpo, já pregado na Cruz.


DIA VINTE E CINCO.

Segunda feira.

Rezará o mesmo á honra da dôr, que o Senhor sentio, vendo que os Judeos jogavão, e repartião suas Sagradas vestiduras.



DIA VINTE E SEIS.

Terça feira.

Rezará o mesmo á honra das sete palavras, que o Senhor deo na Cruz.



DIA VINTE SETE.

Quarta feira.

Rezará o mesmo á honra de quando disse o Senhor ao bom ladrão, que naquelle dia seria com elle no Paraiso.



DIA VINTE E OITO.

Quinta feira.

Rezará o mesmo á honra da dôr, que o Senhor teve, quando vio a sua Santissima Mãe derramando muitas lagrimas, pedindo-lhe a não desamparasse, ao que respondeo o Senhor: Mulher, ahi tens teu Filho; e ao Discipulo: Ahi tens tua Mãe.



DIA VINTE E NOVE.

Sexta feira.

Rezará o mesmo á honra da hora, em que o Senhor espirou na Cruz por nosso amor.



DIA TRINTA.

Sabbado.

Rezará o mesmo á honra de quando o Soldado abrio o lado ao Senhor, já morto, e sahio delle sangue e agua.



DIA TRINTA E UM.

Domingo.

Rezará o mesmo á honra, e veneração de como o Senhor foi tirado da Cruz, e o recebeo sua Mãe Maria Santissima em os braços, e da grande dôr da purissima Senhora, que sentio neste passo.



DIA TRINTA E DOUS.

Segunda feira.

Rezará o mesmo á honra de como foi levado o corpo do Senhor á Sepultura, sendo com muitas lagrimas sepultado.


DIA TRINTA E TRES.

Terça feira.

Rezará o mesmo á honra do sentimento, e saudades, que a Senhora teve de seu Sagrado Filho deixando-o no sepulcro.




COLLOQUIO A JESU CHRISTO E A MARIA SANTISSIMA. AO PÉ DA CRUZ.

Que se deve repetir, quando se fizerem estas preces.

Oh amoroso Pae, e Senhor de minha alma, que bem cumpristes vossa palavra, que não nos deixarieis orfãos, ausentando-vos desta vida; pois na pessoa do discipulo, que tanto amaveis, nos déstes tal Mãe, e amparo, a ella communicastes todos os poderes da graça, a ella as entranhas amorosas de vossa miserícordia, que por isso está junto á Cruz, em que morreis pelos peccadores, para que veja o mundo como se ha de compadecer de seus trabalhos! Oh Virgem Sacratissima, lembrai-vos das dóres, que vos custárão estes filhos ao pé da Cruz, fazei os filhos da mão direita, como fizestes ao Discipulo amado, e já que somos filhos de vossas dôres, não premittais o não sejamos de vossa graça: eu protesto. Senhora, de vos servir, e amar, como servo fiel, e verdadeiro, acompanhando-vos em vossos trabalhos: não me falteis com a vossa protecção, pois em vossa mão está o remedio de minha alma para alcançar a eterna Bemaventurança. Amen.




DEVOÇÃO Á SANTA CRUZ.

PARA O TEMPO DE QUALQUER ATTRIBULAÇÃO.



Da bemdita Cruz
Ao lenho sagrado,
Em que o bom Jesus
Foi por nós pregado,

  Todos tributemos
Respeito profundo,
Porque n'elle temos
Redempção do mundo.

  E se em Portugal
Algum cego peito
Por seu grande mal
e nega respeito,

  Serve de terceira,
Ó Cruz adorada,
Para tal cegueira
Ser alumiada.

  Padre, Filho e Amor,
A vós seja dado,
Rendido louvor
Por todo o creado.

  E pois que na Cruz
Nos destes victoria,
Dai-nos vêr Jesus
Na celeste gloria      Amen.

[/V.] Este nobre signal
Em que sempre venceu,

[/R.] Protesta Portugal
Que será sempre seu.

OREMOS.

Prostrados diante da vossa Cruz, humildemente vos rogamos, Divino Redemptor, que mediante a vossa graça ponhamos sempre n'este bemdito signal a nossa maior honra e por sua virtude logremos os fructos eternos do vosso sacrificio. Que viveis e reinais por todos os seculos dos seculos. Amen.


FIM.





COLLOCAÇAO DAS ESTAMPAS

Adoração ao SS.--(no frontispicio)
N. S. Crucificado--(em frente da pagina)
Annuncição--(em frente da pagina)
N. S. da Conceição da Rocha--(em frente da pagina)



INDICE DO QUE NESTE LIVRO SE CONTEM



Advertencia ao leitor


Acto que se deve fazer no principio de todas as visitas ao SS. Sacramento


Visitas ao SS. Sacramento e Maria Santissima


Jaculatorias para se dizerem diante do Santissimo Sacramento


Jaculatorias em desagravo ao SS. Sacramento


Terço ao SS. Sacramento


Ladainha ao SS. Sacramento


Ladainha da Paixão e Morte de Jesu Christo


Oração a N. S. Jesu Christo Sacramentado


Exercicio para antes e depois da Confissão e Communhão


Religiosos Protestos


Supplicas para pedir perdão a Deus


Oração Prodigiosa a N. Senhora


Methodo de ouvir Missa perfeitamente


Modo de resar a Coroa das Dores de Maria SS


Devoção ao SS. Sacramento para a hora, e dia em que foi instituido


O Tantum Ergo "em portuguez"


Adoração de Santo Thomaz ao SS. Sacramento


Modo de assistir ao Sagrado Lausperenne


Jaculatorias para adorar ao SS. Sacramento pelos Attributos do seu Amor e Grandesa


Jaculatorias para se dizerem diante do SS. Sacramento


Psalmos que se recitão acompanhando o SS. para casa do enfermo


Cantico a Maria SS. "ou a Magnifica"


Cantico de Zacharias


Novena das Almas do Purgatorio


Devoção das Almas do Purgatorio


Oração e rogativa a N. Senhora da Conceição para todas as necessidades geraes e particulares, e mui propria para implorar os poderes de seu patrocinio diante da sua milagrosa imagem apparecida


Officio d'agonia


Via-Sacra abreviada


Ladainha de Nossa Senhora


Preces e deprecações devotas para cada um fazer a Jesu Christo


Colloquio a Jesu Christo e a Maria Santissima ao pé da Cruz


Devoção á Santa Cruz




Notas:


[*] Joan. Cap. XIII. Luc. Cap. XXII. Marc. Cap. XIV. Matth. Cap. XXVI.



Notas acrescentadas em edição:



[
1
] Página 11:


Meu Jesus, creio que vós estais no SS. Sacramento: amo-vos sobre todas as cousas, e vos desejo receber agora dentro na minha alma: já que não posso receber-vos sacramentalmente, vinde ao menos espiritualmente ao meu coração; e como vos tivera já recebido, eu vos abraço, e me uno todo a vós. Ah! Senhor, não permittais que eu jámais de vós me aparte
.


Ou mais breve:
Creio, meu Jesus, que estais no SS. Sacramento: amo-vos, e desejo muito receber-vos, vinde ao meu coração: eu vos abraço; não vos ausenteis de mim
.



[
2
] Página 19:


     Minha vontade está prompta

     Para seguir-vos, Senhor,

     Sejão firmes meus desejos,

     Seja firme o meu amor.


     Quem me déra estar seguro

     De nunca mais offender-vos;

     Meu Deus, quem me déra ser

     O maior de vossos servos.


     Meu coração vos pertence,

     Meu adoravel Senhor,

     Prendei-o bem preso ao vosso

     Com prisões de puro amor.


     Governai, meu bom Jesus,

     Governai meu coração,

     Não consintais que nelle entre

     A menor imperfeição.


     Que mais póde appetecer

     Um verdadeiro Christão,

     Do que amar sempre seu Deus

     Com todo o seu coração?


     Bemdito e louvado seja

     O meu Jesus adorado,

     Bemdito seja para sempre

     O meu Deus Sacramentado



[
3
] Página 22:


     Virgem Soberana, eu vos rogo

     Sejais minha valedora;

     Se Deus me não tem ouvido,

     Fallai-lhe por mim nest'hora.


     Sois minha Mãe, a esses braços

     Eu corro e me vou lançar;

     Ainda que ingrato, sou filho,

     E não me haveis de espancar.


     De Deus tambem vós sois Mãe,

     Pedi-lhe que me perdoe;

     Dizei-lhe veja o meu peito,

     Que já se arrepende, e doe.


     Mettei no Divino Lado

     A vossa poderosa mão;

     Tirai enchentes de graças

     Dentro do seu coração.


     Na minha alma as entornai,

     De impura fique innocente;

     E da mais pura mancha

     Fique limpa de repente.


     De tibia e frouxa se torne

     Extremosa e vigilante:

     De ingrata e rebelde seja

     Desde hoje terna e constante.


     Para gloria do vosso nome,

     Por tão subidos favores,

     Mandarei do Ceo e terra,

     Agradecidos clamores.



[
4
] Página 149:


     1



       Ah! quem pudera

     Aqui viver,

     Nada do mundo

     Tornar a ver.



     2



       Com Deus vivendo,

     Com Deus fallando,

     A vida assim

     Ir acabando.



     3



       Unida sempre

     Ao meu Senhor,

     Morrer á força

     Do seu amor.



     4



       De Deus meu peito

     Seja a morada,

     Com elle eu viva

     Extasiada.



     5



       Faze, meu Deus,

     Habitação,

     N'esta minh'alma,

     E coração.



     6



       Os meus suspiros;

     Minha anciedade,

     Assás te mostrão

     Minha saudade.



     7