O vento cresce D'aquella nuvem negra que apparece. Dá a grande e subita procella. Não esperam os ventos indignados Que amainassem (a véla grande), mas juntos dando n'ella, Em pedaços a fazem. No romper da véla a nau pendente Toma grão somma d'agua pelo bordo. Os balanços, que os mares temerosos Deram á nau, n'um bordo os derribaram (os marinheiros.) Nos altissimos mares, que cresceram, A pequena grandura d'um batel Mostra a possante nau. A nau grande Quebrado leva o mastro pelo meio, Quasi toda alagada. Agora sobre as nuvens os subiam As ondas, Agora a ver parece que desciam As intimas entranhas do profundo.
(Lus. VI, 70 a 76.)
Os ventos que lutavam, Como touros indomitos bramando; Mais e mais a tormenta accrescentavam, Pela miuda enxarcia assoviando; Relampagos medonhos não cessavam, Feros trovões.
(Lus. VI, 84.)
Mas não são apenas os traços geraes da descripção que reproduzem a exacta verdade. Até nas mais pequenas minudencias se mostra rigorosa exactidão. Os ventos são
Noto, Austro, Boreas, Aquilo,
(Lus. VI, 76.)
recordando assim a direcção successivamente differente do vento, percorrendo todos os quadrantes, como se nota nas tempestades de rotação. Os golphinhos ou toninhas, esses graciosos companheiros do navegador durante a bonança, desapparecem d'aquelle theatro de desolação, e são substituidos pelos maçaricos, as almas do mestre, como lhes chama a poetica imaginação dos marinheiros, que vem augmentar com os seus pios lamentosos a tristeza do espectaculo:
As Halcyoneas aves o triste canto levantaram, Os delfins namorados entretanto Lá nas covas maritimas entraram, Fugindo á tempestade e ventos duros, Que nem no fundo os deixa estar seguros.
(Lus. VI, 77.)
Isto é perfeito, isto é enexcedivel. E comtudo ha mais ainda; ha a descripção de outro phenomeno do mar, que, posta em prosa, occuparia o logar de honra no melhor tratado de meteorologia. É a das trombas marinhas. N'este phenomeno em que as nuvens do mar sorvem as aguas do Oceano, começa a levantar-se
No ar um vaporsinho e subtil fumo, E do vento trazido, rodear-se; D'aqui levado um cano ao polo summo Se via, tão delgado que enxergar-se Dos olhos facilmente não podia; Da materia das nuvens parecia. Hia-se pouco a pouco accrescentando E mais que um largo mastro se engrossava; Aqui se estreita, aqui se alarga, quando Os golpes grandes de agua em si chupava; Estava-se co'as ondas ondeando; Em cima d'elle uma nuvem se espessava, Fazendo-se maior, mais carregada, Co'o cargo grande d'agua em si tomada, Qual roxa sanguesuga se enche e a alarga grandemente, Tal a grande columna, enchendo, augmenta, A si e a nuvem negra que sustenta. Mas, depois que de todo se fartou, O pé que tem no mar a si recolhe, E pelo céu chovendo em fim vôou; Ás ondas torna as ondas que tomou, Mas o sabor do sal lhe tira e tolhe.
(Lus. V, 19 a 22.)
Quem escreveu isto? Foi Bravais? Foi Fitz-Roy? Não; foi Luiz de Camões.
Camões tudo vê, de tudo falla. Ao fogo santelmo chama
lume vivo, Que a maritima gente tem por santa, Em tempo de tormenta e vento esquivo, De tempestade escura,
(Lus. V, 18.)
Tambem falla nas correntes maritimas, cujas leis eram pouco conhecidas dos primeiros navegadores, causando-lhes muitos embaraços. Ainda hoje no canal de Moçambique se não póde contar com a corrente, ou antes deve-se esperar que ella seja sempre contraria, porque, como no mar tudo são mudanças, tão depressa correm as aguas ao norte como no dia seguinte correm ao sul, e com tal velocidade que vencem muitas vezes a força do vento regular. É, pois, a corrente, como descreve o Poeta
tão possante Que passar não deixava por diante; Era maior a força em demasia, Segundo para traz nos obrigava, Do mar, que contra nós ali corria, Que por nós a do vento que assoprava.
(Lus. V, 66, 67.)
Superior á meteorologia é a sciencia astronomica, de todas a mais necessaria ao homem do mar. É ella que lhe ensina a conhecer onde está, a que parte do vasto Oceano o levaram os ventos e correntes; é ella que lhe mostra o caminho a seguir no meio da vasta solidão. Estava esta sciencia bastante atrasada no tempo do Poeta, pois que reinava ainda o errado systema de Ptolomeu. Mas este systema é por elle descripto tão exactamente, que um abalisado professor contemporaneo, ao ter de explical-o nas suas lições de cosmographia, nunca deixava de citar a descripção de Camões. Ptolomeu, fazendo da terra centro immovel de todo o universo, collocava a lua, o sol, os planetas e as estrellas em outras tantas espheras concentricas a ella, e que, sobre um eixo que passava pelos seus polos, giravam com velocidades diversas. Todas estas espheras eram envolvidas por uma ultima, o Empyreo, alem do qual estava o Ser Infinito, pois
Quem cerca em derredor este rotundo Globo e sua superficie tão limada, He Deus.
(Lus. X, 80.)
Começando, pois, a enumerar as superficies concentricas, cujo conjuncto fórma o systema, diz Camões:
Este orbe, que primeiro vae cercando Os outros mais pequenos, que em si tem, Que está com luz tão clara radiando, Que a vista cega e a mente vil tambem, Empyreo se nomea.
(Lus. X, 81.)
Segue-se o primeiro mobil:
Debaixo d'este circulo, que não anda, Outro corre tão leve e tão ligeiro Que não se enxerga: he o mobile primeiro.
(Lus. X, 85.)
Vem depois os dois crystalinos e logo o céu das fixas, entre as quaes o Poeta não se esqueceu de nomear as doze constellações zodiacaes bem como as outras mais notaveis do firmamento:
Est'outro debaixo esmaltado De corpos lisos anda e radiantes, Que tambem n'elle tem curso ordenado E nos seus axes correm scintillantes; se veste e faz ornado Co'o largo cinto d'ouro, que estellantes Animaes doze traz affigurados, Aposentos de Phebo limitados. Por outras partes a pintura as estrellas fulgentes vão fazendo: A Carreta, a Cynosura, Andromeda e seu pae, e o Drago, Cassiopea, Orionte, o Cysne, A Lebre, os Cães, a Nau e a Lyra.
(Lus. X, 87, 88.)
Seguem-se por sua ordem os céus dos sete planetas então conhecidos, contando n'esse numero o Sol:
Debaixo d'este grande firmamento o céo de Saturno; Jupiter faz logo o movimento, E Marte abaixo; O claro olho do céo no quarto assento; E Venus; Mercurio; Com tres rostos debaixo vae Diana.
(Lus. X, 89.)
Em seguida á Lua vem finalmente os quatro elementos:
o fogo e o ar, o vento e a neve Os quaes jazem mais a dentro, E tem co'o mar a terra por assento.
(Lus. X, 90.)
Alem d'esta descripção, que é completa, ha por todo o poema allusões ao firmamento e aos seus brilhantes luzeiros, espectaculo maravilhoso e divino em que se enlevam os olhos do marinheiro durante as longas horas da noite. Citaremos apenas a allusão ao Cruzeiro do Sul:
Lá no novo hemispherio nova estrella, Não vista de outra gente, que ignorante Alguns tempos esteve incerta d'ella;
(Lus. V, 14.)
á qual se segue logo a allusão áquella parte do firmamento perto do polo sul, onde as estrellas são mais raras, e que os astronomos modernos chamam o Sacco de carvão:
a parte menos rutilante, E por falta d'estrellas menos bella, Do polo fixo.
(Lus., ibidem.)
Para acabarmos com a astronomia de Camões diremos ainda que nem sequer se esqueceu elle de fallar da nautica, parte pratica ou applicação d'aquella sciencia á navegação, a qual mais directamente ensina o marinheiro a ver em que parte está (Lus. V, 26), isto é, a pôr o ponto na carta, pois que nos falla do
novo instrumento do Astrolabio Invenção de subtil juizo e sabio;
(Lus. V, 25.)
que servia, como hoje o sextante, para
tomar do Sol a altura.
(Lus. V, 26.)
Está já cançada a penna de fazer transcripções, é tempo de pôr termo a este trabalho, e ainda não temos percorrido toda a escala de variadissimos tons com que Luiz de Camões teceu a sua harmoniosissima composição sobre as cousas do mar. Fallaremos ainda, antes de terminar, da Geographia, sciencia que o Poeta possuiu em subido grau, e que, como a astronomia e a meteorologia, é tambem essencialmente necessaria ao marinheiro.
Os Lusiadas são por si só um completo tratado da sciencia da terra. Não ha ponto conhecido no mundo do seculo XVI de que o Poeta não falle, assignando a cada um a sua feição geographica caracteristica, a sua especialidade ethnographica. Mas as suas descripções tem ainda a particularidade de serem essencialmente maritimas. Effectivamente ao marinheiro o que mais importa saber, depois da posição dos logares, é a fórma com que elles se apresentam vistos do mar, fórma que o marinheiro precisa de gravar na memoria para poder distinguir uns dos outros montes, cabos, praias ou enseadas aliás muito similhantes. Para isto serve-se muitas vezes o navegador da comparação com objectos conhecidos, e foi de certo elle quem inventou os nomes de Sombreiro, Barrete de S. Fillippe, Bonet de Jockey, Nariz de Nelson, e tantos outros, para designar e reter na memoria a fórma de certas saliencias da superficie da terra banhadas pelo mar. Ora, nas descripções geographicas de Camões, nota-se que elle procura muitas vezes dar o relevo da costa, e que quasi sempre refere a ella a descripção dos outros logares notaveis do interior, por modo que as suas descripções são preciosissimas para um roteiro e ensinam muitas conhecenças do debuxo da costa (Lus. X, 120), conhecimento altamente necessario ao navegador. Não se esquece tambem o Poeta de notar qualquer circumstancia, cujo conhecimento seja util ao navegante, como os productos da terra, a maior ou menor facilidade de se acharem mantimentos, a qualidade dos portos, etc.
Não sendo possivel transcrever todos os logares dos Lusiadas que tratam de geographia, porque seria preciso copiar dezenas e dezenas de estancias, citaremos apenas alguns poucos exemplos, e seja o primeiro a descripção da Europa:
Entre a zona que o Cancro senhorea, Meta septentrional do Sol luzente, E aquella que por fria se arrecea Tanto, como a do meio por ardente, Jaz a soberba Europa, a quem rodea, Pela parte do Arcturo e do Occidente, Com suas salsas ondas o Oceano, E pela Austral o mar Mediterrano. Da parte donde o dia vem nascendo Com Azia se avisinha; mas o rio, Que dos montes Rhipheios vae correndo Na alagoa Meotis, curvo e frio, As divide, e o mar, que fero e horrendo Viu dos Gregos o irado senhorio, Onde agora de Troia triumphante Não vê mais que a memoria o navegante. Lá onde mais debaixo está do polo, Os montes Hyperboreos apparecem, E aquelles onde sempre sopra Eolo, E co'o nome dos ventos se enobrecem; Aqui tão pouca força tem de Apollo Os raios, que no mundo resplandecem, Que a neve está continuo pelos montes, Gelado o mar, geladas sempre as fontes.
(Lus. III, 6, 7 e 8.)
A esta descripção geral da Europa segue-se a especial dos seus paizes. Como não as podemos descrever todas, lembraremos a da Italia:
Da terra um braço vem ao mar, que cheio De esforço, nações varias sujeitou, Braço forte de gente sublimada Não menos nos engenhos que na espada;
(Lus. III, 14.)
a de Hespanha:
Eis aqui a nobre Hespanha, Como cabeça da Europa toda; Com Tingintina entesta, e ali parece Que quer fechar o mar Mediterrano, Onde o sabido Estreito se enobrece Co'o extremo trabalho do Thebano; Com nações differentes se engrandece Cercadas com as ondas do Oceano;
(Lus. III, 17, 18.)
e a de Portugal:
Eis aqui, quasi cume da cabeça Da Europa toda, o reino Lusitano, Onde a terra acaba e o mar começa E onde Phebo repousa no Oceano.
(Lus. III, 20.)
Veja-se como em duas palavras se demonstra a importancia do porto de Moçambique:
Esta ilha pequena He em toda esta terra certa escala De todos os que as ondas navegamos De Quiloa, de Mombaça e de Sofala; E por ser necessaria procuramos, Como proprios da terra, de habital-a;
(Lus. I, 54.)
e como com outras duas se descreve a ilha de Mombaça:
Estava a ilha á terra tão chegada Que um estreito pequeno a dividia; Uma cidade n'ella situada, Que na frente do mar apparecia, Como por fora ao longe descobria, Regida por um Rei de antiga idade; Mombaça é o nome da ilha e da cidade.
(Lus. I, 103.)
A grande peninsula indostanica, esse theatro de tantas glorias nossas, é pintada assim:
Alem do Indo jaz, e aquem do Gange, Um terreno mui grande e assaz famoso, Que pela parte austral o mar abrange E para o Norte o Emodio cavernoso; Jugo de Reis diversos o constrange A varias leis; alguns o vicioso Mafoma, alguns os idolos adoram, Alguns os animaes, que entre elles moram. Lá bem no grande monte, que, cortando Tão longa terra, toda Azia discorre, Que nomes tão diversos vae tomando, Segundo as regiões por onde corre, As fontes sahem, donde vem manando Os rios, cuja grão corrente morre No mar Indico, e cercam todo o peso Do terreno, fazendo-o Chersoneso. Entre um e outro rio, em grande espaço, Sae da larga terra uma longa ponta, Quasi pyramidal, que no regaço Do mar com Ceilão insula defronta.
(Lus. VII, 17, 18 e 19.)
Nomea depois o Poeta as principaes nações indianas, e não lhe escapa lembrar a serra dos Gates, que é uma boa marca por ser visivel de muitas leguas ao mar:
Aqui se enxerga, lá do mar undoso, Um monte alto, que corre longamente, Servindo ao Malabar de forte muro Com que do Canará vive seguro; Da terrra os naturaes lhe chamam Gate.
(Lus. VII, 21, 22.)
E ao passar pelos seus portos não se esquece de notar o phenomeno a que os modernos geographos francezes dão o nome de raz-de-marée, que em alguns d'elles se observa, principalmente em Madrasta:
Do mar a enchente subita grandissima, E a vasante que foge apressurada.
(Lus. X, 106.)
Fallando de Aden, lembra o Poeta a circumstancia bem conhecida de nunca lá chover:
a secca Adem, pedra viva, Onde chuva dos céus se não deriva.
(Lus. X, 99.)
E estas duas palavras--pedra viva--são por si só uma completa descripção d'aquelle arido rochedo, onde já correu muito sangue portuguez.
A Ieddah attribue Camões toda a importancia que esse porto tem por ser a unica communicação para os peregrinos que, por mar, vão a Mecca:
Lá no seio Erythreo Não longe o porto jaz da nomeada Cidade Meca; Gidá se chama o porto aonde o trato De todo o Roxo mar mais florecia.
(Lus. IX, 2, 3.)
Mas a descripção verdadeiramente magnifica, arrebatadora, é a que abrange todas as descobertas e conquistas na Africa, Asia, Oceania e America. Aquellas cincoenta estancias do canto X (91 a 141) com as que no canto V contem a derrota de Vasco da Gama desde Lisboa até Melinde, são um compendio de geographia das descobertas até ao seculo XVI. Ao lel-as parece-nos que se repete para nós a magica visão que Tethys offerecia na ilha dos Amores aos olhos surpresos do afortunado descobridor da India; parece-nos que vemos desenrolar-se a nossos olhos o mappa immenso de tantas ilhas, portos, montanhas, rios e promontorios; parece-nos que se agitam diante do nós tantos centenares de povos e nações, com os seus usos tão oppostos, com os seus trajos ora tão singelos ora tão complicados e custosos, com a riqueza de suas minas ou de suas industrias, com a sua historia tão cheia de contrastes. E um espectaculo deslumbrante, unico, que obriga o mais fervente admirador dos genios modernos a render-se á superioridade evidente de Camões; porque Camões, e só elle, poude, sem ser monotono nem faltar á mais escrupulosa verdade, fazer de uma longa enumeração de terras e mares uma formosissima galeria das mais variadas paisagens e marinhas; porque só elle soube ser successivamente Claude Lorrain e Vernet, ficando ainda superior a estes e a todos os pintores, ficando sempre o grande, o incomparavel, o divino marinheiro Luiz de Camões!
No mais, musa, no mais, que a lyra tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida.
(Lus. X, 145.)
Perdoe-se ao pigmeu a ousadia de applicar a si as palavras do gigante. Mas, na verdade, para que serve continuar? Se houvessemos de citar todos os logares em que Luiz de Camões se mostrou eximio pintor da natureza, e principalmente da natureza maritima, teriamos de copiar quasi todo o seu poema. Cremos, porém, que o que fica transcripto é sufficiente para demonstrar a nossa asserção, de que o Poeta foi um marinheiro tocado da divina scentelha da inspiração, que lhe fez ver os grandiosos espectaculos da natureza taes como elles se manifestam.
E, comtudo, de que serve esta demonstração? Que póde ella fazer em prol do melhoramento do actual gosto litterario?
Nada.
Acontece com a historia das litteraturas como com a das nacionalidades. Quando o espirito de uma nação está decaído, quando faltam os nobres impulsos que a impelliram no seu progresso ascendente, quando está morto o patriotismo que centuplica as forças do individuo, quando o egoismo tórpe substituiu a abnegação e o amor da patria, é então que se recordam os tempos de gloria e se levantam monumentos aos heroes que já não é possivel imitar; são os vãos lamentos dos filhos de Israel captivos em Babylonia, suspirando pela liberdade de Sião, que tão mal souberam defender.
E assim com as litteraturas. Quando passaram, para nunca mais voltar, os seus tempos de explendorosa florescencia, vem os commentadores estudar as obras primas, mas não apparece um só que os imite. Onde estão hoje as pennas que escreveram os Lusiadas e as Decadas? E, deixando esses monumentos, que são como que as estrellas de primeira grandeza de um firmamento de eterno brilho, onde estão os successores de Diniz, de Bocage, de Garção, de Alexandre Herculano, de Rebello da Silva, de José Estevão, de Garrett, de Castilho? Transformaram-se os lagos cristalinos em charcos nauseabundos, as campinas viridentes em aridos pragaes; calaram-se os trinados dos rouxinoes, só se ouve o coaxar das rãs; e a consciencia publica, festejando o tri-centenario da morte de Luiz de Camões, manifesta em doloroso grito o arrependimento que sente por se ter deixado resvalar no plano inclinado do mau gosto, e marca na historia da litteratura portugueza o periodo da ultima decadencia.